segunda-feira, 21 de abril de 2008

De Lingua não!!!




Dedico esta crônica para o Saulo, um dos meus melhores amigos. Esse carinha aí é tão importante que grande parte das aventuras que aconteceram na minha vida foram com ele ou por causa dele. E também sei que muitas aventuras que estão por vir também acontecerão a seu lado.

Bom, vou contar a história de como foi o meu primeiro beijo.

É interessante como episódios de Seinfeld já perseguiam o meu destino. E olha que nesta época eu nem sabia o que era Seinfeld. O fato é que Estava eu com uns 11 anos, na quinta série. Tinha uma menininha que eu gostava e que também gostava de mim. O mesmo acontecia com o Saulo. Só que nestes tempos, não se podia "ficar" abertamente... A inocência da infância ainda não havia sido totalmente roubada. O que quero dizer é que quando se é criança neste contexto, em que as crianças poderia se amar, mas não se beijar a luz do dia, no meio do recreio, por exemplo, se vivia as mais impressionates história de amor secreto.

Por minha parte, eu já era um galã nato: bigodinho de carroceiro, cabelo lambido e muito poemas do Leandro e Leonardo na manga.

Assim sendo, nos quatro, Saulo, sua menininha, Eu, minha menininha, armamos uma plano perfeito, além de totalmente imbecil, para podermos beijar no colégio. O plano consistia em convencer o disciplinador do colégio, o cara do SOE (lembra do SOE?? Serviço de Orientação ao Estudante), a nos emprestar a chave de sua sala para que pudéssemos "ficar" tranquilamente. O Pior que o cara era tão nosso amigo que permitiu... Aí começaria minha desgraça. Depois eu entenderia que o primeiro beijo de um homem, e o primeiro de uma mulher, tem que ser dado em total sigilo e privacidade.

Chegamos os quatro na sala. Sua dimensão deveria ter no máximo dois metros quadrados. Quando o Saulo trancou a sala, parecia que ela tinha encolhido a metade. O ambiente era sufocante. Eu não sabia o que fazer. Não sabia como chegar nela, que me olhava nervosamente encostada na parede. Parecia que todos os filmes, com todos os beijos que havia visto não me ajudariam naquele momento. O pior ainda estava por vir.
Olho para o lado, Saulo e sua meninha, com anos luz a mais de experiência que eu, dando um beijo cinematográfico: algo tipo Clark Gable e Vivien Leigh em "O Vento Levou". Automaticamente me subiu aquele frio pela espinha:

- Se eu ratear, todos no colégio ficarão sabendo que eu não tinha beijado ainda. Pensei.

Enfim, estufei o peito, tomei coragem e fui para o ataque. Já estava no inferno, então não custava dar um coice no diabo. Naquela época eu ainda não tinha o charme de um ornitorrinco fazendo a dança do acasalamento, mas me utilizava do charme de "galã" de rodoviária.

Seguindo a história: algo básico que não me avisaram é que deveria se abrir a boca para encostar os lábios. Então aquilo, que eu não ouso chamar de beijo, foi um selinho. Acontece que fui tão afobado, enconstando nela tão rapidamente que ela bateu com a cabeça na parede. Deu pra ouvir o barulho. Isso ainda não é o pior.

Estavamos grudados, os dois com a boca fechada. Aí para não tornar aquilo monótono, eu mexia a cabeça para um lado e para ou outro. Pra dar uma dinâmica, digamos. Algo totalmente ridículo.

Mas eu ainda não estava contente com todo meu mico. Resolvi abrir a boca, e ela falou:
-De lingua não Alexandre.

Aquilo foi um balde de água gelada na cabeça. Eu queria simplesmente que abrisse um buraco no chão para eu me enfiar dentro e não sair mais de lá. Infelizmente isso não aconteceu, e ainda havia testemunhas!!!

Depois daquilo, saímos os quatro e juramos não contar aquela história pra ninguém.

As crianças não sabem guardar segredo mesmo! Hoje, onze anos após essa história, os amigos daquela época ainda lembram e sempre que podem riem de mim. Riem do dia em que eu pensei que beijar era algo tão natural quanto o amor.
Para consolar o caro leitor de toda essa minha desgraça: estou casado com essa menininha, temos 2 filhos lindos e somos muito felizes!

Bom, isso não é verdade, mas seria interessante se a crônica terminasse assim né, de forma romântica? Dando aquele sentido que buscamos na vida: que nada é por acaso, que todas as coisas ruins, transformam-se em histórias para se contar quando a verdadeira felicidade chega. Isso seria legal. Mas no meu mundo, o mundo de Seinfeld, isso não acontece...

6 comentários:

Luci disse...

Coitada da menininha, se com um selinho bateu a cabeça imagine se ela deixasse tu beija-la de lingua.

Unknown disse...

Quem sabe o final da crônica não seja esse mesmo?!

Alexandre disse...

HAHAHAHAH é mais fácil crescer o dedo que falta no Lula!

Unknown disse...

Alexandre, e aquelas cinco pratas que tu tava me devendo??? Vai ter que me pagar a semana de RU pra mim hein? hehe.

Solange disse...

Essa foi ótima! Depois diz q está sem inspiração...O problema de alguns desempenhos masculinos é tb que,as vezes, escolhem a menina errada.

Alexandre disse...

Solange: Tu tens a sabedoria!